Ataques DDoS famosos: os maiores ataques DDoS de todos os tempos

Em um ataque de negação de serviço distribuída (DDoS), vários dispositivos são usados para sobrecarregar um servidor alvo com tráfego e deixar serviços on-line fora do ar. Alguns dos maiores ataques DDoS foram destaque nas principais manchetes de tecnologia.

Objetivos de aprendizado

Após ler este artigo, você será capaz de:

  • Descrever a extensão dos ataques DDoS mais poderosos
  • Entender os motivos por trás de alguns dos ataques cibernéticos mais terríveis
  • Explicar alguns dos ataques mais importantes da história do DDoS

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Qual foi o maior ataque de DDoS de todos os tempos?

No terceiro trimestre de 2025, a Cloudflare mitigou o maior ataque de negação de serviço distribuída (DDoS) já relatado, com 29,7 terabits por segundo (Tbps). O ataque foi atribuído à botnet Aisuru, composta por um número estimado de entre 1 e 4 milhões de hosts infectados globalmente. A rede da Cloudflare conseguiu mitigar o ataque de forma automática, apesar de seu tamanho sem precedentes (nas décadas anteriores, os ataques de DDoS raramente excediam 1–2 Tbps).

Cite outros ataques DDoS famosos.

Outubro de 2023: Google mitiga ataque de 398 milhões de RPS

Em outubro de 2023, o Google alegou ter mitigado o maior ataque de negação de serviço distribuída (DDoS) de todos os tempos. Um ataque HTTP/2 "Rapid Reset" que atingiu o pico de 398 milhões de solicitações por segundo (RPS).

O HTTP/2 Rapid Reset explora uma falha no protocolo HTTP/2 para realizar ataques DDoS. O protocolo HTTP/2 é vital para a forma como os navegadores interagem com os sites: ele permite que os navegadores solicitem texto, imagens e outros conteúdos dos sites. Com um ataque HTTP/2 Rapid Reset, os invasores enviam um grande número de solicitações a um site e as cancelam imediatamente. Eles repetem o processo de solicitar e cancelar, na esperança de sobrecarregar o site e derrubá-lo.

A Cloudflare ajudou a descobrir esse tipo de ameaça e mitigou ataques recordes , como aqueles que atingiram um pico acima de 201 rps (veja abaixo).

Agosto de 2023: empresas de jogos e apostas

Em agosto de 2023, a Cloudflare mitigou milhares de ataques DDoS por HTTP hipervolumétricos, 89 dos quais excederam 100 milhões de rps. O maior atingiu o pico de 201 milhões de rps, um número três vezes maior do que o maior ataque anterior já registrado (71 milhões de rps, registrado em fevereiro de 2023).

Junho de 2022: cliente do Google Cloud

O Google relatou que um cliente do Google Cloud foi alvo de ataques DDoS por HTTPS que atingiram um pico de 46 milhões de rps. O ataque teve origem em mais de 5 mil fontes, em mais de 130 países.

Novembro de 2021: Azure

Em novembro de 2021, o Azure sofreu aquele que foi na época o maior ataque DDoS de todos os tempos. O ataque atingiu uma taxa de transferência de 3,47 Tbps. De acordo com a Microsoft, ele teve origem em aproximadamente 10 mil fontes em pelo menos 10 países. A empresa observou que também mitigou outros dois ataques naquele ano com taxa de transferência de mais de 2,5 Tbps.

Fevereiro de 2020: reportado pela AWS

A AWS divulgou que mitigou um gigantesco ataque DDoS em fevereiro de 2020. No seu pico, esse ataque registrou tráfego de entrada a uma taxa de 2,3 Tbps. A AWS não divulgou a qual cliente o ataque foi direcionado.

Os invasores responsáveis usaram servidores web sequestrados com Protocolo de Acesso Leve a Diretórios sem Conexão (CLDAP). O CLDAP é um protocolo para diretórios de usuários. Trata-se de uma alternativa ao LDAP, uma versão mais antiga do protocolo. O CLDAP tem sido usado em diversos ataques DDoS nos últimos anos.

Fevereiro de 2018: GitHub

Um grande ataque DDoS em 2018 teve como alvo o GitHub, o popular serviço de gerenciamento de código on-line usado por milhões de desenvolvedores. O ataque chegou a atingir 1,3 Tbps, enviando pacotes a uma taxa de 126,9 milhões por segundo.

O ataque ao GitHub não envolveu botnets. Na verdade, foi um ataque DDoS ao memcached: os invasores aproveitaram o efeito de amplificação de um sistema de armazenamento em cache de banco de dados popular, conhecido como memcached. Ao inundar os servidores do memcached com solicitações falsificadas , os invasores conseguiram amplificar seu ataque cerca de 50 mil vezes.

Felizmente, o GitHub estava utilizando um serviço de proteção contra DDoS, que foi alertado automaticamente 10 minutos após o início do ataque. Esse alerta desencadeou o processo de mitigação e o GitHub foi capaz de deter o ataque rapidamente. O enorme ataque DDoS durou apenas cerca de 20 minutos.

Setembro de 2017: Google Cloud

Em 2017, um ataque direcionado aos serviços do Google Cloud atingiu um tamanho de 2,54 Tbps. O Google divulgou o ataque em outubro de 2020.

Os invasores enviaram pacotes falsificados para 180 mil servidores web que, por sua vez, enviaram respostas ao Google. Esse ataque não foi um incidente isolado: os invasores haviam direcionado vários ataques DDoS à infraestrutura do Google nos seis meses que o antecederam.

Outubro de 2016: Dyn

Um ataque DDoS enorme foi direcionado à Dyn, um importante provedor de DNS, em outubro de 2016. Esse ataque foi devastador e causou interrupções em muitos sites importantes, incluindo Airbnb, Netflix, PayPal, Visa, Amazon, The New York Times, Reddit e GitHub. Os invasores usaram o malware chamado Mirai. O Mirai cria uma botnet composta de dispositivos comprometidos da Internet das Coisas (IoT), como câmeras, TVs inteligentes, rádios, impressoras e até monitores de bebês. Para criar o tráfego de ataque, todos esses dispositivos comprometidos são programados para enviar solicitações a uma única vítima.

Felizmente, a Dyn conseguiu debelar o ataque em um único dia, mas o motivo do ataque nunca foi descoberto. Grupos de hacktivistas reivindicaram a responsabilidade pelo ataque como resposta ao fato de o acesso à internet ter sido negado ao fundador do WikiLeaks Julian Assange no Equador, mas nenhuma prova corroborou essa reivindicação. Também há suspeitas de que o ataque tenha sido realizado por um gamer insatisfeito.

Março de 2015: GitHub

O GitHub sofreu um ataque DDoS em 2015 que foi o maior até então. Foi um ataque com motivação política, que durou vários dias e se adaptou às estratégias de mitigação de DDoS implementadas. O tráfego de DDoS originou-se na China e visou especificamente os URLs de dois projetos do GitHub criados para contornar a censura estatal do governo chinês. Especula-se que a intenção do ataque foi tentar pressionar o GitHub a eliminar os referidos projetos.

O tráfego do ataque foi criado pela injeção de um código JavaScript nos navegadores de todas as pessoas que visitavam o Baidu, o mecanismo de pesquisa mais popular da China. Outros sites que usavam os serviços de análise do Baidu também estavam injetando o código malicioso. Esse código estava fazendo com que os navegadores infectados enviassem solicitações HTTP para as páginas do GitHub visadas. Nos dias que se seguiram ao ataque, foi determinado que o código malicioso não tinha sido originado no Baidu, mas sim adicionado por um serviço intermediário.

Março de 2013: Spamhaus

Em 2013, um grande ataque foi direcionado à Spamhaus, uma organização que ajuda a combater e-mails de spam e atividades relacionadas a spam. A Spamhaus é responsável por filtrar um percentual do total de spam da ordem de 80%, o que a torna um alvo preferencial para pessoas que gostariam de ver os e-mails de spam atingirem os destinatários aos quais são direcionados.

O ataque direcionou tráfego para a Spamhaus a uma taxa de 300 Gbps. Assim que o ataque começou, a Spamhaus se cadastrou na Cloudflare. A proteção contra DDoS da Cloudflare mitigou o ataque e os invasores reagiram perseguindo determinadas centrais de troca de tráfego de internet e provedores de largura de banda em uma tentativa de derrubar a Cloudflare. O ataque não atingiu seu objetivo, mas causou grandes problemas para o ponto de troca de tráfego London Internet Exchange, o LINX. Acabou sendo descoberto que o principal responsável pelo ataque foi um hacker de aluguel adolescente inglês que foi pago para disparar esse ataque DDoS.

Leia mais sobre esse ataque e como ele foi mitigado no blog da Cloudflare.

Fevereiro de 2000: ataque do Mafiaboy

Em 2000, um invasor conhecido como “Mafiaboy” derrubou vários sites importantes, incluindo CNN, Dell, E-Trade, eBay e Yahoo!. Na época, o Yahoo! era o mecanismo de busca mais popular do mundo. Esse ataque teve consequências devastadoras, inclusive criando caos no mercado de ações.

O Mafiaboy, que mais tarde se revelou ser um estudante do ensino médio de 15 anos chamado Michael Calce, coordenou o ataque comprometendo as redes de várias universidades e usando seus servidores para realizar o ataque DDoS. As consequências desse ataque levaram diretamente à criação de muitas das leis contra crimes cibernéticos da atualidade.

Abril de 2007: Estônia

Em abril de 2007, a Estônia foi atingida por um gigantesco ataque de DDoS direcionado aos serviços governamentais, além de instituições financeiras e organizações de mídia. Isso teve um efeito esmagador, já que o governo da Estônia foi um pioneiro na adoção do governo on-line e havia praticamente abolido o papel na época. Até mesmo as eleições nacionais eram realizadas on-line.

O ataque, considerado por muitos como sendo o primeiro ato de guerra cibernética, ocorreu em resposta a um conflito político com a Rússia em torno da relocalização do "Soldado de Bronze de Tallinn", um monumento à Segunda Guerra Mundial. O governo russo foi considerado suspeito de envolvimento e um cidadão estoniano natural da Rússia foi preso como resultado, mas o governo russo não permitiu que a polícia estoniana fizesse investigações adicionais na Rússia. Todo esse transtorno levou à criação das leis internacionais contra a guerra cibernética.

Os fornecedores de proteção contra DDoS são capazes de mitigar ataques dessas dimensões?

A capacidade dos fornecedores de proteção contra DDoS de mitigar esses tipos de ataques em grande escala depende da capacidade de sua rede. Alguns fornecedores têm, de fato, capacidade de rede suficiente para absorver a quantidade de tráfego que o ataque DDoS em questão estiver gerando enquanto ainda fornecem serviços. A Cloudflare conta com 534 Tbps de capacidade de rede, o que é muito superior aos maiores ataques DDoS já registrados.

A Cloudflare também já mitigou ataques DDoS que apresentavam taxas de pacotes e solicitações HTTP extremamente altas. Por exemplo, em junho de 2020, a Cloudflare mitigou um ataque DDoS com 754 milhões de pacotes por segundo. E em agosto de 2023, a Cloudflare mitigou ataques que excederam 201 milhões de rps. É importante ressaltar que a Cloudflare também protege contra ataques HTTP/2 Rapid Reset.

A grande maioria dos ataques DDoS não é tão grande quanto os ataques relatados acima. Na verdade, a maioria dos ataques DDoS não excede 1 Gbps. No entanto, mesmo esses ataques DDoS menores podem derrubar sites e deixar aplicativos fora do ar por longos períodos de tempo se não houver uma mitigação de DDoS implementada. À medida que os ataques DDoS continuam a evoluir, mais organizações podem estar em risco.

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